Atraso do ensino é maior onde escola é longe – 07/01/2026 – Opinião

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A distorção série-idade, quando o aluno está dois ou mais anos abaixo da série esperada para sua idade, é um dos gargalos da educação brasileira relacionado à evasão escolar.

As causas do fenômeno incluem entrada tardia na escola, alfabetização insuficiente no período correto, aprendizagem precária que gera repetência, políticas de progressão continuada (quando o aluno passa de ano sem ter sido aprovado) mal implementadas, desigualdades sociais e no acesso ao ensino.

Este último quesito fica evidente no levantamento de dados do Inep, instituto de pesquisas vinculado ao Ministério da Educação (MEC), realizado pelo portal QEdu. Reforça-se a já conhecida necessidade de alocação racional de recursos, que leve em conta discrepâncias regionais e características locais, para beneficiar os estratos mais vulneráveis.

Em 2024, segundo o estudo, a taxa de alunos com distorção série-idade no ensino fundamental da rede pública em centros urbanos do país foi de 11,6%, e no ensino médio, de 19%. No entanto, quando apenas as escolas de zonas rurais e ribeirinhas são avaliadas, os números vão a 16,5% e 29,8%, respectivamente.

Considerando esse recorte afastado das cidades, há grande diferença em relação ao Norte. Lá, as taxas saltam para 26,4% e 43,2%, enquanto nas demais regiões ficam abaixo da média nacional. O Nordeste, que vem em seguida, tem 14,4% e 28,7%; já o Sudeste, com 10,2% e 16,3%, é a região mais bem colocada.

Pará (33,2% e 42,2%) e Amazonas (21,5% e 50,6%) apresentam os piores indicadores do país. A geografia local é o desafio. Nesses vastos estados, os alunos precisam percorrer longas distâncias, por estradas precárias ou rios, para chegar às escolas.

Os dados indicam deficiências no transporte escolar, como frequência intermitente, nessas localidades. Ademais, viagens longas e cansaço podem afetar o processo de aprendizagem. Tempo e energia que jovens de estratos pobres se veem obrigados a usar para contribuir com a renda familiar ou até sobreviver.

Especialistas apontam ainda que a nucleação (fechar escolas pequenas e concentrar alunos em unidades maiores e distantes) pode ter aumentado dificuldades.

Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, em 2025 o governo federal destinou R$ 31,2 milhões para transporte escolar aquaviário a cerca de 400 entes federativos. Se o montante é insuficiente ou está sendo mal gerido, é um problema que precisa ser resolvido pelo poder público nas três esferas.

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