O presidente Donald Trump retirou nesta quarta-feira (7) os Estados Unidos de mais de 60 organizações e tratados internacionais, entre eles dois fundamentais para combater a crise climática. A lista engloba grupos que, em sua opinião, “já não servem aos interesses” americanos.
A União Europeia criticou duramente nesta quinta-feira (7) a decisão da principal economia do planeta e segundo maior emissor de gases poluentes da atualidade (se considerado o histórico, o maior de todos os tempos), mas prometeu continuar enfrentando a crise climática com outros países.
A ordem da Casa Branca envolve 31 organizações das Nações Unidas e 35 entidades não pertencentes à ONU. Na lista está a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, conhecida pela sigla em inglês UNFCCC, que é o tratado matriz que sustenta os principais acordos internacionais sobre esta questão.
O pacto assinado em 1992 estabelece a cooperação entre países para reduzir as emissões de gases causadores do aquecimento global e adaptar-se ao impacto da mudança climática.
Também está na lista o IPCC, sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão científico ligado às Nações Unidas que reúne cientistas renomados de todo o planeta para atualizar periodicamente o conhecimento sobre o tema e amparar as decisões dos países.
O IPCC é também fundamental para avaliar a ciência do clima junto com outras organizações como a Irena (Agência Internacional de Energias Renováveis), ONU Oceanos e ONU Água.
Apesar de ter retirado novamente os EUA do Acordo de Paris logo na sua volta à Presidência, Trump não havia removido o país da UNFCCC e do IPCC até então.
A medida gerou duras críticas na UE. A vice-presidente executiva do bloco para Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, avaliou que “a Casa Branca não se importa com o meio ambiente, a saúde ou o sofrimento das pessoas”.
“A paz, a justiça, a cooperação ou a prosperidade não figuram entre suas prioridades”, acrescentou.
No mesmo tom, o responsável pelas políticas climáticas do bloco, Wopke Hoekstra, lembrou que a UNFCCC “sustenta a ação climática global” e reúne as nações na luta coletiva contra a crise.
“A decisão da maior economia do mundo e segundo maior emissor de afastar-se dela é lamentável e infeliz”, afirmou Hoekstra em uma publicação no LinkedIn.
Ele acrescentou que “continuaremos apoiando inequivocamente a pesquisa climática internacional como base de nossa compreensão e nosso trabalho”. “Também continuaremos trabalhando na cooperação climática internacional”, completou.
Trump, que baseia sua política interna nos combustíveis fósseis, despreza abertamente o consenso científico de que a atividade humana está aquecendo o planeta. Chegou a qualificar a ciência climática como “um golpe”.
Além disso, seu governo não enviou representantes à COP30, cúpula climática realizada em novembro em Belém. As conferências da ONU sobre mudanças climáticas são organizadas justamente pela UNFCCC.







